Ambiente 25 de julho de 2026

Ciência procura travar alga invasora que pressiona a costa açoriana

Estudo reúne ciência e gestão para responder à expansão da Rugulopteryx okamurae nos Açores.

Os Açores passam a dispor de um estudo multidisciplinar dedicado à Rugulopteryx okamurae, uma macroalga invasora cuja expansão tem vindo a pressionar os ecossistemas costeiros do arquipélago. O trabalho, desenvolvido pela Universidade dos Açores em parceria com a Direção Regional das Políticas Marítimas, foi apresentado a 23 de julho, na Horta.

A espécie foi detetada na Região em 2019 e a sua proliferação rápida tornou-a num dos principais desafios de bioinvasão marinha nas ilhas. A acumulação de biomassa e a ocupação de fundos rochosos podem degradar habitats costeiros e afetar a qualidade das zonas balneares.

A investigação organiza-se em três frentes: conhecer a biologia, a ecologia e a dispersão da alga; avaliar possíveis formas de valorização da biomassa; e identificar medidas de mitigação. Entre as aplicações em análise estão utilizações biotecnológicas, alimentação de ruminantes e compostagem agrícola, sem afastar a necessidade de reduzir os impactes ambientais.

O estudo também aborda técnicas de remoção, a gestão dos grandes arrojamentos na costa e a definição de protocolos de atuação. A discussão reuniu investigadores, administração pública, autoridades marítimas, autarquias e sociedade civil, reconhecendo que a resposta exige coordenação entre quem monitoriza, gere e utiliza o litoral.

Para os Açores, a questão ultrapassa a conservação da natureza. A saúde dos ecossistemas costeiros está ligada à pesca local, ao lazer e à atratividade turística das ilhas; por isso, transformar conhecimento científico em medidas práticas será decisivo para limitar os efeitos desta invasão nas comunidades e nas zonas costeiras.

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