Flores · 19 de julho
Novo concurso procura manter abastecimento marítimo às Flores
Açores lançam concurso urgente de 7,5 milhões de euros para assegurar mercadorias regulares nas Flores.
No extremo ocidental da Europa, esta Reserva da Biosfera vive de água em movimento, com as cascatas do Poço da Ribeira do Ferreiro e a remota Fajã Grande.
Flores pede dias sem pressa. A ilha vive de água em movimento, muros cobertos de musgo, hortênsias nas bermas e mudanças rápidas de luz sobre o Atlântico. Por estar no extremo ocidental dos Açores e da Europa, há aqui uma sensação rara de margem: depois das arribas, dos ilhéus e dos faróis, o horizonte parece começar outra vez. A classificação como Reserva da Biosfera da UNESCO ajuda a explicar esse equilíbrio entre paisagem viva, uso humano e cuidado ambiental.
O grande momento fica no oeste, entre a Fajãzinha e a Fajã Grande. No Poço da Ribeira do Ferreiro, também chamado Poço da Alagoinha, um caminho húmido entra pela vegetação até um anfiteatro de rocha e água, onde várias cascatas descem para a lagoa. A Fajã Grande prolonga essa sensação de fim do mundo: casas baixas, campos murados, a Cascata do Poço do Bacalhau, zonas balneares quando o mar deixa e pores-do-sol virados para o vazio.
No planalto, a ilha muda de escala. As lagoas Negra, Comprida, Branca, Seca, Funda e Rasa aparecem entre turfeiras, musgos e nuvens baixas; vale subir com tempo flexível, porque o nevoeiro entra depressa e também abre janelas inesperadas. A Rocha dos Bordões, com colunas prismáticas formadas pelo arrefecimento da lava, é a paragem geológica mais marcante junto à estrada, sobretudo quando a luz rasante acende o verde que cobre a rocha.
Os trilhos oficiais dão forma à visita. O PR02 liga o Lajedo à Fajã Grande, passando por paisagens rurais, Fajãzinha e miradouros sobre a arriba fóssil. O PR03 desce do Miradouro das Lagoas para o Poço do Bacalhau, juntando crateras, vegetação endémica e a chegada ao mar. O traçado entre Ponta Delgada e Fajã Grande mostra o lado noroeste, com falésias e vistas para o Corvo, mas deve ser verificado antes de partir porque pode fechar por segurança.
Entre passeios, Santa Cruz dá o ritmo mais prático, com porto, museu, cafés e piscinas naturais; Lajes tem outro compasso, ligado ao porto sul, às casas de pedra e às estradas que sobem para o interior. Com guias locais, o canyoning aproveita ribeiras encaixadas e quedas de água; em dias de mar calmo, os banhos costeiros e os passeios de barco às grutas mostram uma Flores igualmente intensa vista de baixo.
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