Mais camas e custos elevados desafiam o turismo nos Açores
Oferta de camas cresceu 32,7% nos Açores. Debate parlamentar cruza a quebra nas dormidas com receitas mais altas, preços elevados e ligações aéreas.
O crescimento da capacidade de alojamento e os custos de visitar os Açores estiveram em destaque no debate de emergência sobre turismo realizado em 22 de outubro, no parlamento regional, na Horta. Solicitada pelo PS, a discussão decorreu após 11 meses consecutivos de redução das dormidas e revelou avaliações diferentes sobre a situação do setor.
A secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, contrapôs à quebra das dormidas receitas superiores às de 2025 e níveis de hóspedes e dormidas acima de 2024. A governante apresentou 2025 como o melhor ano do turismo regional e rejeitou a leitura de uma deterioração alarmante da atividade.
Segundo os dados apresentados por Berta Cabral, as camas disponíveis aumentaram 32,7% entre 2022 e agosto de 2026, sobretudo no alojamento local. A secretária reconheceu diferenças entre ilhas, mercados e segmentos, bem como o risco de os preços do alojamento, da restauração e do aluguer de automóveis consolidarem a imagem de um destino caro.
As intervenções parlamentares mostraram que o aumento da receita não encerra a discussão. A IL alertou para o peso da inflação nesse indicador, o BE responsabilizou o executivo pelo excesso de oferta e o PAN defendeu menos pressão turística nos períodos de maior procura. O CDS-PP pediu atenção às preocupações dos empresários.
Os transportes foram outro eixo do debate. Berta Cabral manifestou disponibilidade para procurar respostas com empresas e associações, sublinhando que atrair rotas exige trabalho com resultados a médio prazo. O PPM propôs recuperar ligações marítimas sazonais entre todas as ilhas e serviços permanentes entre São Miguel e Santa Maria, colocando também a mobilidade interilhas na discussão sobre o futuro do turismo.
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