Transportes 30 de setembro de 2026

Futuro da assistência em terra da SATA coloca ligações entre ilhas no centro do conflito

Greves anunciadas no handling da SATA expõem divergências sobre a privatização do serviço e possíveis efeitos nas ligações aéreas entre as ilhas dos Açores.

Os sindicatos SITAVA e SINTAC anunciaram, em 29 de setembro, a intenção de realizar vários períodos de greve entre os trabalhadores da assistência em terra da SATA. A decisão surge no âmbito da contestação à privatização da SATA Handling. As organizações não indicaram datas para as paralisações, pelo que ainda não é possível determinar quando poderão afetar a operação aérea.

O desacordo centra-se no modelo escolhido para separar e vender o serviço de assistência em terra. Os sindicatos afirmam que, durante a participação num grupo de trabalho do Governo Regional, lhes foi apresentada a alienação total como uma exigência da Comissão Europeia. Sustentam agora que a venda resultou de uma proposta do acionista e de uma decisão das autoridades portuguesas. Esta é a posição dos sindicatos; as notícias consultadas não apresentam uma resposta do Governo Regional a essa alegação.

Para os representantes dos trabalhadores, a relação futura entre a SATA Air Açores e um operador privado de assistência em terra exige especial atenção. A companhia assegura ligações entre as ilhas ao abrigo de obrigações de serviço público, enquanto o handling apoia as operações dos aviões nos aeroportos. Os sindicatos receiam que a separação aumente os custos da transportadora, sobretudo quando a meteorologia obriga a alterações frequentes à operação.

O processo de privatização já avançou para uma fase de consulta ao mercado. Em 26 de setembro, a SATA informou que 11 entidades tinham cumprido os requisitos de participação e sido convidadas a apresentar propostas não vinculativas até 21 de outubro. Depois dessa etapa, deverão ser escolhidas as entidades que poderão entregar propostas vinculativas.

O anúncio de greve acrescenta uma dimensão laboral a uma decisão com alcance em todo o arquipélago. As ligações aéreas são essenciais para a deslocação de residentes e visitantes entre as ilhas, mas não há, por enquanto, um calendário de paralisações nem perturbações confirmadas associadas a este anúncio. Passageiros com viagens futuras deverão acompanhar as informações da SATA quando forem divulgados detalhes dos pré-avisos.

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