Berta Cabral defende pacotes turísticos face aos preços elevados nos Açores
Berta Cabral reconhece preços elevados nos Açores e defende pacotes turísticos para a época baixa. Empresários alertam para a quebra continuada das dormidas.
A secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, reconheceu que os preços das viagens, do alojamento e do aluguer de automóveis estão a contribuir para a imagem dos Açores como destino caro. No encontro anual das Casas Açorianas, cuja sessão de abertura decorreu a 23 de outubro, em Angra do Heroísmo, defendeu a criação de pacotes turísticos integrados para estimular a procura, sobretudo na época baixa.
A proposta passa pela articulação entre companhias aéreas, unidades de alojamento, empresas de aluguer de viaturas e operadores turísticos. Segundo o Açoriano Oriental, a governante atribuiu à Visit Azores a negociação desses pacotes e ao Governo Regional a promoção do destino, salientando a sensibilidade dos turistas portugueses ao preço global das férias.
A posição surge num contexto de redução da procura. Os dados do Serviço Regional de Estatística dos Açores, divulgados pela Lusa, apontam para 695,3 mil dormidas em agosto de 2026, menos 2,6% do que um ano antes. Entre janeiro e agosto, o total atingiu 3,2 milhões, uma descida homóloga de 3,1%. Os resultados de agosto são preliminares e os dos meses anteriores provisórios.
No encontro, o presidente das Casas Açorianas, Gilberto Vieira, manifestou preocupação com a evolução do setor e pediu maior investimento efetivo na promoção turística. Destacou a perda de procura nacional e a necessidade de disponibilizar meios à Visit Azores para executar as suas campanhas.
Berta Cabral considerou, porém, que a quebra pode ser recuperada e sustentou que os níveis de hóspedes e dormidas permanecem acima de 2024. Defendeu uma recuperação assente na qualidade, na sustentabilidade e na preservação da identidade açoriana, sublinhando que o objetivo inclui aumentar o rendimento gerado pelos visitantes.
A evolução das receitas varia entre segmentos: em agosto, os proveitos totais da hotelaria cresceram 4,5%, para 37 milhões de euros, enquanto os do turismo em espaço rural caíram 3,9%, para 4,2 milhões. O relatório não apresenta proveitos do alojamento local.
Nas acessibilidades, a secretária regional apontou a falta de horários disponíveis para novas operações no aeroporto de Lisboa como um obstáculo ao reforço das ligações. Sobre a saída da Ryanair, rejeitou responsabilidades do executivo regional e salientou a autonomia comercial da transportadora.
A companhia apresentou uma explicação diferente: no comunicado de 20 de novembro de 2025 em que anunciou o fim dos voos para os Açores a partir de 29 de março de 2026, atribuiu a decisão aos custos aeroportuários, às taxas ambientais e à atuação do Governo português.
A pressão sobre as empresas foi também relacionada pela governante com o aumento da oferta. Segundo as declarações publicadas pelo Açoriano Oriental, o alojamento local ganhou 9.600 camas nos últimos quatro anos, um crescimento que Berta Cabral considera relevante para interpretar as dificuldades de alguns operadores.
A responsável apontou ainda 500 milhões de euros em investimentos candidatos ao Construir 2030, que apresentou como sinal de confiança empresarial no turismo. Os projetos referidos ainda não estavam aprovados, não tendo sido divulgados o número de empreendimentos nem a capacidade prevista. A governante defendeu a aposta em unidades de elevada qualidade, incluindo hotéis e apartamentos de cinco estrelas.
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