28 de setembro de 2026

Acesso aéreo aos Açores sob pressão com queda de passageiros e dormidas

Quebra no acesso aéreo aos Açores: menos 103.766 passageiros entre abril e agosto e menos 71.627 dormidas até julho, face aos mesmos períodos de 2025.

Os aeroportos dos Açores receberam 1.206.055 passageiros desembarcados entre abril e agosto de 2026, menos 103.766 do que nos mesmos cinco meses de 2025. A redução de 7,9% surge após o fim das operações da Ryanair na região, no final de março. Os dados são do Serviço Regional de Estatística dos Açores.

A quebra também se reflete no alojamento turístico, embora os períodos disponíveis ainda não coincidam. Entre abril e julho, a hotelaria, o alojamento local e o turismo no espaço rural somaram 1.967.881 dormidas, menos 71.627, ou cerca de 3,5%, face a igual período do ano anterior. Os dados das dormidas de agosto ainda não tinham sido divulgados.

A Ryanair operava ligações de São Miguel e da Terceira a Lisboa e ao Porto. Desde abril, as ligações regulares entre os Açores e Portugal continental são asseguradas pela TAP e pela Azores Airlines. Entre abril e julho, os alojamentos da região registaram menos cerca de 62 mil dormidas de residentes em Portugal, tornando a evolução do mercado nacional particularmente relevante para avaliar o acesso às ilhas.

A comparação exige cautela: as dormidas já vinham a diminuir em termos homólogos desde outubro de 2025, antes da saída da companhia. Os números mostram uma perda simultânea de passageiros e dormidas, mas, por si só, não permitem atribuir toda a quebra à alteração das rotas aéreas.

Para empresas turísticas, trabalhadores e residentes, a disponibilidade de voos entre as ilhas e o continente afeta a procura e as opções de viagem. O parlamento açoriano aprovou em maio a criação de um Fundo de Desenvolvimento de Rotas Aéreas, enquanto o Governo Regional afirmou estar a trabalhar em alternativas. A evolução dos próximos meses ajudará a perceber se a capacidade disponível consegue responder à procura ao longo do ano.

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