Ribeirinha
No extremo oriental do Faial, a Ribeirinha mostra as ruínas da igreja e do farol do sismo de 1998, campos abertos e trilhos com vista para o Pico e São Jorge.
Sobre Ribeirinha
A Ribeirinha, no extremo oriental do Faial, é uma freguesia onde a paisagem parece explicar a sua própria história. A ribeira que dá nome ao lugar, os campos entre encostas e a proximidade do canal criam uma zona rural aberta, com vistas frequentes para o Pico, São Jorge e, em dias límpidos, para a Graciosa.
Esta é também uma das áreas onde o sismo de 1998 deixou marcas mais visíveis. As ruínas da Igreja de São Mateus e do Farol da Ponta da Ribeirinha não são apenas paragens fotográficas: são memoriais ao impacto do terramoto no Faial e à forma como a freguesia aprendeu a viver com uma paisagem geologicamente ativa.
O Farol da Ribeirinha, inaugurado no início do século XX, orientava a navegação no canal antes de ficar gravemente danificado pelo sismo. Hoje, a ruína e o farolim próximo contam duas histórias ao mesmo tempo: a da antiga rede de sinalização marítima e a da adaptação necessária depois da catástrofe.
O trilho oficial da Ribeirinha permite juntar estes pontos num passeio acessível e variado. Começa no centro da freguesia, segue até ao Porto da Boca da Ribeira, atravessa zonas de mata com criptoméria, urze e cedro-do-mato, passa pelo farol, toca o lugar dos Espalhafatos e regressa por caminhos agrícolas e miradouros.
O Porto da Boca da Ribeira, também referido como Porto da Ribeirinha em alguns recursos turísticos, é um antigo cais piscatório usado como zona de banhos e lazer. Tem uma escala simples e local, com vista ampla sobre o mar; em dias calmos pode ser convidativo, mas por não ser uma zona vigiada deve ser escolhido com prudência.
A Lomba Grande e o Graben de Pedro Miguel dão profundidade à leitura da freguesia. O relevo em patamares, as falhas e as encostas ajudam a perceber porque a Ribeirinha é tão relevante para entender a formação antiga do Faial. Para o visitante, essa geologia traduz-se em caminhos com vistas abertas, silêncio rural e uma sensação clara de estar numa ilha ainda em construção.